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Indígena de Campinápolis passa em 1º lugar no curso de Biologia da Unemat de Nova Xavantina

A mãe do indígena, Elza Wa’utõmõwa’ê, também disse estar muito feliz.

11/10/2021 às 10h05
Por: Portal Noticiário Fonte: Adailson Pereira/Mix Agora
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Foto: Alô Xavantna
Foto: Alô Xavantna

Ingressar em uma faculdade, seja em qualquer curso superior, é o sonho de muita gente. Para o indígena da etnia Xavante, Clênio Tserebutuwe, 25 anos, que reside em uma aldeia de Campinápolis (a 545 km de Cuiabá), não é diferente. Depois de quatro tentativas com vestibulares, ele acabou passando, este ano, em 1º lugar no curso de Biologia, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus de Nova Xavantina.

Clênio Tserebutuwe sempre estudou em escola pública, e em entrevista ao site Mix Agora, relatou que não tem nenhum familiar que fez ou esteja fazendo algum curso superior, “eu sou o único”.

Meio tímido e de poucas palavras, o indígena revelou que sempre sonhou em ter um curso superior, apesar que teve dificuldades em escolher entre os cursos ofertados na universidade.

Sobre o vestibular que prestou na Unemat, Clênio Tserebutuwe relatou que só passou com nota 8.5, graças ao seu amigo, o professor e historiador, Josué Nogueira, que segundo o indígena, ajuda os que necessitam.

Carioca, Josué Nogueira foi quem incentivou Clênio Tserebutuwe a fazer o vestibular, cujo tema da redação foi relacionado ao Coronavírus.

“Josué me deu uma folha em branco e pediu para eu escrever. Pensei, como eu vou fazer? Aí eu fui escrevendo e fazendo, e quando deu meia-noite, eu terminei a redação, e entreguei ao professor, que disse que eu iria passar”, disse Clênio Tserebutuwe.

No dia seguinte, a secretária de Josué Nogueira inscreveu o indígena no vestibular da Unemat.

“Agradeço ao meu amigo Josué. Ele tem que continuar com esse coração bom. Agradeço também a sua secretária Sara”, disse o indígena.

Questionado sobre os próximos passos na faculdade, Clênio Tserebutuwe revelou que pretende dar continuidade nos estudos, como pós-graduação. “Vou parar no momento em que eu cansar”. O indígena também disse que vai abraçar a oportunidade ofertada pela Unemat para representar o seu povo.

“Eu quero representar minha comunidade, o povo Xavante, como o único biólogo dentro da terra indígena. Quero explicar a eles, as coisas que eu aprendi dentro da faculdade. Vou continuar atuando na área indígena como professor”, afirma Clênio Tserebutuwe.

Indígenas na Universidade

A proporção de indígenas nas universidades triplicou em 21 anos no Brasil. Segundo dados do Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2018 (versão mais recente do levantamento), foram 57.706 indígenas matriculados, 0,68% do total e crescimento de 695% em relação a 2010, quando eram 7.256.

Clênio Tserebutuwe entrou nessa estatística, como mais um indígena que ingressa em uma universidade.

A estudante do curso técnico em Enfermagem e esposa do indígena, Marizete, disse está muito feliz com essa conquista. “Deus deu a oportunidade para ele agora. Meu esposo vem tentando várias vezes fazer uma faculdade, mas Deus concedeu a ele esse ano”, disse a mulher de Clênio Tserebutuwe.

A mãe do indígena, Elza Wa’utõmõwa’ê, também disse estar muito feliz. “É muito bom ver que meu filho caçula passou na Unemat. Todos estão felizes, a família e toda a comunidade dessa aldeia”.

Unemat

Unemat foi pioneira no quadro de instituições de ensino superior do País a formar professores indígenas. Em 2001 iniciaram as aulas das primeiras turmas para formação de professores indígenas no campus da Unemat, em Barra do Bugres.

Na ocasião, os três primeiros cursos oferecidos, foram: ‘Ciências Matemática e da Natureza’; ‘Ciências Sociais’; ‘Artes, Língua e Literatura’, e pensados exclusivamente para atender os diversos povos indígenas que residem no Estado.

“Todos os cursos foram e ainda pensado e executado a partir da premissa de que a cultura do povo é a âncora da Educação Escolar Indígena, ou seja, o ponto de partida e de chegada são aspectos culturais de cada povo”, explica o gestor de educação indígena da Unemat, Adailton Alves da Silva.

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