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Mulheres cientistas de MT pesquisam benefício do extrato de cedro-rosa contra diabetes e gordura no sangue

Pesquisa busca isolar substância para saber qual tem o efeito contra a gordura no sangue.

08/10/2021 às 07h56
Por: Portal Noticiário Fonte: Thiago Andrade - G1 MT
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Foto: Fapemat/Divulgação
Foto: Fapemat/Divulgação

Um grupo de cinco mulheres cientistas cuiabanas estudam os benefícios do cedro-rosa no controle do diabetes e da gordura no sangue. O trabalho nasceu do conhecimento popular de ribeirinhos e já se mostra promissor.

O trabalho é dirigido pela professora da UFMT, Mayara Peron, outras três universitárias e duas estudantes do ensino médio, que fazem iniciação científica. O projeto é apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Mato Grosso (Fapemat).

O estudo nasceu de uma pesquisa de etnofarmacologia com os ribeirinhos, uma das professoras da UFMT perguntou como era o tratamento da diabetes entre a população. O cedro-rosa foi citado e, em pesquisas com ratos com diabetes, se mostrou promissor no controle do açúcar no sangue.

“Pelos resultados desse experimento que eles fizeram, nós vimos que os ratos diabéticos, tratados com o extrato de cedro, também tiveram redução de triacilglicerol, ou seja, gordura no sangue e isso nos chamou atenção. Pensamos assim: será que além de ter uma ação antidiabética, ele também tem uma ação anti lipídios?", conta a pesquisadora Mayara Peron.

Sem uma resposta concreta para o questionamento, ela propôs a elaboração de um estudo para avaliar. Segundo ela, com os resultados preliminares não dá pra dizer que a planta tem efeito, é preciso que ela seja testada naquele modelo de doença.

No início dos trabalhos, foi feita uma série de experimentos. O resultado foi positivo em dois modelos. “Hoje, a gente pode dizer que sim, o extrato de cedro consegue diminuir gordura no sangue”, disse.

Com essa resposta em mãos, a pesquisa quis saber qual o mecanismo para a diminuição e com mais experimentos descobriram uma ação no fígado, ele diminui a gordura no sangue por diminuir a ação hepática de gordura.

Atualmente, elas querem saber qual o composto deste extrato bruto.

“O que nós fizemos? Pegamos a entrecasca da planta, moemos, transformamos em pó e deixamos macerar, daí filtramos e pegamos. Só que ali, a gente tem o extrato bruto, é o suco da entrecasca, eu diria, tem de tudo. Temos que saber qual o composto é o princípio ativo responsável por essa ação farmacológica que encontramos”, comentou.

Mayara afirmou que o estudo se concentra em encontrar o princípio ativo purificado. Para isso, cada substância da planta é isolada e testada. Segundo ela, o objetivo é repetir a diminuição de gordura no sangue que foi observada no início da pesquisa, mas com a substância de forma isolada.

A pesquisadora comenta que a produção de medicamentos é feita com substâncias isoladas e purificadas. Com isso, se consegue maior chance de êxito e a redução dos efeitos colaterais.

Mulheres na pesquisa

Mayara destaca que só mulheres fazem parte do estudo. Com isso, a pesquisa foi selecionada pela Fapemat para ganhar uma bolsa.

O edital previa bolsas para iniciação científica de mulheres. Três meninas da graduação fazem parte do estudo e duas estudantes do ensino médio. “São alunas que ainda não estão na universidade, mas têm oportunidade de vir e desenvolver alguma parte do projeto”, comentou Mayara.

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